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15-08-2008 » (Recordação autêntica) Vem às vezes sentar-se à minha porta, Aquela velhinha que mora ao fim da rua, Não sei porquê, seu gesto, aliás, não imporá Até gosto ouvi-la, é como viver na lua! Quando tenho tempo, minha fala a conforta:-- --“Então, D. Micas como está? Essa saúde flutua?... --Ai, meu filho, a minha longa idade corta Cá vou [...]
04-08-2008 » O que é a vida? Indago dentro de mim Tanta, tanta vez, sem encontrar resposta, Tudo que sonhei belo, feliz, teve fim Nunca neste campo venci, qualquer aposta! Vida? Que caminhos são os teus assim, M’envolvi, crente, com tudo que se gosta, Só encontrei problemas, gente falsa, ruim Que concluo, como és d’apuros composta! Tentei ser honesto como [...]
17-07-2008 » Pensando com juízo, passado mais uns dias, Ricos! pobres! Bons! Maus, vão ter o mesmo fim Não sei pra que tal altivez, vaidade assim Todos temos, igual cova, as mesmas elegias! Alguns querem mausoléu com tudo de marfim, Pra quê se vão ser dos vermes as boas iguarias?... Na ultima vontade ou seja as mil hipocrisias, Mas [...]
01-05-2008 » Diz o povo ou, está escrito na escritura, Que após a morte outra vida nos espera… Verdade ou mentira, pra mim é, quimera, Nunca ninguém veio cá dizer esta…travessura! Eu não creio; morre-se é pó que nos espera, Dizem, foi feita de barro a primeira criatura, Se assim é, está certo, servimos de moldura, Porque barro é [...]
04-03-2008 » Quando visito Lisboa meu fim é, Alfama Adoro suas ruas, com seu velho casario, Co’o típico carvoeiro, à porta co’o programa, Ou beber um copo e, ouvir o fado vadio! Ali houve uma casa de fados com fama, Que no meu tempo passei noite e noites a fio, Parei! Olhei! Recuei ao bom tempo que se [...]
17-02-2008 » (À DOLORES CO’OS MEUS LOUVORES) Meu amor quero aqui dizer-te em segredo, No percurso de toda a nossa vida conjugal, Nunca houve sequer um simples arremedo, Que toldasse o nosso paraíso de qualquer mal! Desde aquele NOVE de Setembro tão ledo, Que trocamos nosso SIM, tudo correu natural, Apesar do trabalho como emigrantes; o..., tal O fim era [...]
16-02-2008 » (Com admiração à Sr.ª D. Efigénia Coutinho Ao ler seu lindo poema MINHA BUGANVILIA SENHORA: Lindas buganvilias são seus poemas, SENHORA Que deixa ver bem que tem um lindo jardim, Talvez seja a lendária cornucópia seu fim Qu’esta iluminada poetisa é possuidora! Estampam no seus poemas este quindim, Poesia de beleza igual ás suas buganvílias, Que mostra serem românticas [...]
12-01-2008 » AMIGOS: Pronto Acabou o rumo do Aeroporto e… pesadelos Agora vamos ouvir interesses e grande batota… Foi, concordo, “indigesto” lá pró bom povo da OTA, Mas, amigos, tinham que ganhar os” CAMELOS! Enfim, após anos, JAMAIS vota ou não vota, Ao fim ao cabo Alcochete tem mais “pelos”, Freeport! Sporting e, e mais com nababos zelos Venceu quem [...]
07-01-2008 » MOTE Nossa Senhora faz meia, Com linha feita de luz, Nvelo é a lua cheia, As meias são pra Jesus! (Autor ? ) GLOSA É assim a luta aguerrida, D’aquela gente d’aldeia, Cada qual tem sua lida… Nossa Senhora faz meia Pra calçar o Deus Menino, Com [...]
03-01-2008 » (1) AMIGOS: Já versejei, em todos os ângulos o DOIS AMORES, Jardim! Quintal! Flores! E, todos painéis d’azulejos, Mas é notável, olvidei seus sóbrios interiores, Que encerra lembranças d’inesquecíveis festejos! Os móveis são d’estilo escolhido pela DOLORES, Que caprichou e, satisfez, todos seus desejos, Tapetes! Bibelôs! Pratos! Salvas são primores, Louças pra todos os eventos ou raros ensejos! Mas o [...]
03-01-2008 » Perene será o mundo Sempre com anomalias, O pobre, pobre imundo, O rico, rico d’aleivosias! Aliás, será sempre assim, Ó sim nisto é perene, Que observo, sei, no fim Não h+a quem o condene! Uma catrefa de palhaços, Co’o tal malabarismo, Só dão largos abraços, Com falso altruísmo! O mundo será sempre isto, Caos por toda a parte, Tudo em nome de Mefisto; Tudo em [...]
28-12-2007 » Nesta ânsia de viver não vimos a trama Que o tempo nos prega na nossa vivência, Tudo se passa sob mística da influência, Que pouco a pouco, pra o final nos chama! Assim, ninguém goza da vida a excelência, Que esta nos brinda n’um soberbo programa, Os anos passam, vão criando em nós o drama, De viver [...]
21-11-2007 » Meia-idade é o princípio do fim do rumo Que Deus nos destinou com algumas dif’renças, Vão surgindo os frutos das canseiras imensas, Que tivemos que manter pra segurar o consumo! É ver pouco e pouco o funeral das nossas crenças; É ver qualquer investida já não tem sumo; É ver com saudade o nosso corpo perder [...]
21-11-2007 » Quando a idade pede contas, é um sarilho Co’ o resultado, ao ver erros, enganos no rol, Coisas feitas a toa da mocidade sem controle, Que agora teimam a atacar, assim: Eu t’humilho!... Então pensavas que tinha sempre à mercês sol, Nas tripúdios, conquistas, arrojos com brilho?... Agora, fazes contas tem coragem, meu filho, Aguenta as consequências, [...]
20-11-2007 » Todos nós entramos na vida sem rumo certo, Mesmo aquele sortudo eu inicia carreira, Apesar das dificuldades, se for esperto Sendo tenaz, um dia tem a sua porta à beira! Outros, coitados, perdem-se no árido deserto, Procuram, procuram e, há sempre uma barreira, Que não conseguem superar, nem longe, nem perto, Só com uma “cunha” entra na [...]
16-11-2007 » Quando às vezes surgem juntas as desditas, Perde-se a cabeça e, por vezes a coragem, Que nos leva a falhas com triste imagem, Pois pensamos nas nossas que são infinitas! Muitos procuram morte como paragem, Que acho ideias um tanto malditas, Mas as reacções de cada são esquisitas, Pra chegar assim ao fim da viagem! A vida apesar [...]
12-10-2007 » Quando Deus fez este mundo tão sublime, De tudo bom que encerra a humanidade, Deu à natureza toda fecundidade, Na fauna e flora que tão bem exprime! Deu aos oceanos riqueza em quantidade; Deu às florestas, desde o cedro ao vime; Deu a todos céus mistério que o redime, Tudo, com exactidão vontade e bondade! Nada há mais [...]
06-10-2007 » DESEJO FINAL. Quando eu morrer conterrâneos e familiares, Que forem ao meu enterro, aqui fica expresso, Entrem já na primeira adega no regresso P’ra beberem uns copos com vivos cantares! Tristezas p’ra quê? Já não adiantam pesares A vida continua ligeira co’o mesmo processo, Quem fica tem que gozar tudo, eis o que peço porque eu serei [...]
18-09-2007 » Por estranho que isto pareça, Como entendem, não sou maluco, Nunca me passa pela cabeça, Que a genica viril, arrefeça Que me tomem por velho caduco! Deixei de olhar para o espelho, Com receio de certo desmaio, Eu que à pouco era fedelho, Vejo já vermes no aparelho, Como o tempo passa, com raio!... Blasfemo só todas as manhâs, Com esse [...]
16-09-2007 » Ao ilustre poeta PINHAL DIAS Nesta vida que temos agitada, Vivemos todos esta aventura, Procura-se um poço de ventura, Quase sempre chega atrasada! P’r’alguns já perto da sepultura, Após desmedida caminhada, Nunca chegam ao fim da estrada, A sorte negra nunca os procura! E, todas forças são sempre assim, Galgamos crente a vida até ao fim, E, jamais, algo ditoso s’agarra… Faz [...]
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