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17-07-2008 » Não se pode comprar ventura com dinheiro: Diz a velha sabedoria, mais ou menos, assim: Exacto, mas pode-se comprar coisas com fim Da sua composição e, por vezes, por inteiro! Esta ladainha é secular, mas quanto a mim O dinheiro ajuda em dois casos é, companheiro, Em saúde e f’licidade seu fim é, verdadeiro, É bom que [...]
25-06-2008 » (À DOLORES) Viver! Como é distinta no sentido Esta palavra, d’um incerto alcance! Viver! O que é viver? É um romance, Uma lágrima, um sonho, seu bem perdido! Pode ser cupidez, dever cumprido, Pecado, filáucia, ou dor que não descanse… Viver…Paradoxo! – Há quem avance Que pode ser… Quem sabe?...não ter vivido! Viver é caminhar continuamente, Tremendo, a cada passo, [...]
06-05-2008 » Ao meu particular amigo Sr. Jorge Vicente Residente na SUIÇA Esta garrafa de LICOR BEIRÃO O licor lá da minha terra virtual com o meu amistoso E alegre SANTÉ! PROST! Desejando que um dia Seja bebida na realidade aqui no DOIS AMORES. AMIGO JORGE: Hoje of’reço-te este fino licor, Contudo outro objectivo encerra, De mim, AMIZADE fiel, [...]
30-04-2008 » “A mulher é dos deuses um agradável pitéu”… Escreveu Shakespaere, em manhã de primavera; Mais além diz:--“Quando o diabo não as tempera”… Que pensamos: Será rumo ou inferno ou Céu?... Quanto a mim, toda mulher tem sempre venera, Nasceu pra ser amada com prazer jubileu, Merece que a cada passo se lhe tire o chapéu, Por espalhar [...]
04-04-2008 » (Elegia faz parte da poesia) Ao mavioso poeta EUCLIDES CAVACO E, todos seus permanentes fãs espalhados Por todo mundo. AMIGOS: Abri o ECOS DA POESIA, isto é já equidade, Que tenho pra perfumar a alma d’uma coisa boa, Desta vez, ouvi (até vi) Aguarela de Lisboa, Fado das Caravelas e, outra, a Voz da Saudade! Senti, dentro de mim [...]
29-03-2008 » Quando jovens nunca avaliamos a juventude, Um jardim único que não pensamos a fundo, Flores, perfumes, são tantas coisa neste mundo, Que fica pra trás o intrínseco da sua virtude! Falo por mim, mas pra todo é tema profundo, Tão vasto, não há ninguém certo que ajude, Todos caímos “no deixa andar” que os ilude, Que só [...]
11-02-2008 » Passou por mim, altiva com sensual meneio, Com garbo escultural de figura perfeita; A tal mulher que vimos, tudo em si s’aproveita; Mulher que não pode passar sem bom galanteio!... Fiquei “tonto”:-“Feliz quem com tal mulher se deita”… Mas nisto reparo no tamanho do seu seio, Que me deu ideia, aquilo deve ser alheio, Aquilo é postiço, [...]
27-01-2008 » Hoje quando vou a Coimbra, apesar da idade, As recordações são latentes, mesmo infinitas, Tricanas! Serenatas! Choupal! Queimas das fitas, É imposta a visita ao Penedo da Saudade! Aquela encosta teve por mim noites inauditas, Certa noite gravei, lá uma quadra prá Eternidade, Como tantos versejaram d’amores da mocidade, Que tantas vezes duravam umas horas bonitas! Coimbra, diz [...]
06-12-2007 » Outro fantasma me cerca nas horas mortas, Quando não durmo m’interroga pertinaz, Com coisas passadas que sempre foram tortas, Este duende d’actula não me deixa em paz! Não tive chance, nem abertas as tais portas, Pra singrar, pra saber como tudo se faz Só me diz:-- Vê lá, meu velho, com te comportas Hoje, presta atenção, já [...]
16-11-2007 » O tempo passa sem regresso, Vejam, leitores como é verdade, Passou por mim em excesso, Hoje, estou com esta idade! Não digas tudo que sabes, Nem creias tudo que ouves, Nem teus inferiores menoscabes, Nem teus superiores louves, Porque isto são coisas graves, Que podem ter muitos entraves, Casual com isto te arroubes!
11-11-2007 » (À DOLORES) Como faço meus versos? Olha sempre, d’improviso N’um arroubo quando penso em ti, meu tesouro, Tu és a inspiração da minha lira d’ouro; Tu és a alegria musical do meu paraíso! Que irrompe no meu sentir, como um estouro, Que me tenta versejar sempre que preciso… Basta pensar em ti, logo tenho certo aviso Pra fazer [...]
11-11-2007 » Encontraram-se um dia a guerra e a PAZ, Em discussão acesa mais ou menos assim: A guerra disse, arrogante, com todo clarim Como fosse invencível sempre contumaz! …”A força que tenho é a minha arma sem fim; As minhas leis são firmes, não voltam a trás, Com ferro e fogo, ninguém m’enfrenta audaz, Eu venço todos que [...]
06-10-2007 » DESEJO FINAL. Quando eu morrer conterrâneos e familiares, Que forem ao meu enterro, aqui fica expresso, Entrem já na primeira adega no regresso P’ra beberem uns copos com vivos cantares! Tristezas p’ra quê? Já não adiantam pesares A vida continua ligeira co’o mesmo processo, Quem fica tem que gozar tudo, eis o que peço porque eu serei [...]
24-09-2007 » Igual a mim há muitos neste hemisfério, Que na hora (H) não encontram um abrigo, Quando precisa, vê que foge seu melhor amigo, Que não sabe como se virar, sem refrigério! Todo este cenário, leitores, é, muito antigo, Que me revolta este infame impropério, Após ser tão bom, não haver ninguém sério, Isto é mesmo da vida, [...]
02-09-2007 » Há milénios que andamos nesta demanda, Poetas, escritores tentam definir o amor, Com tantos predicados, bons e maus é de supor Que estamos na mesma com tanta propaganda! Dizem que é fogo, gelo, mesmo impostor, Íntimo , imprevisto, fatal, em tudo manda, Vive de pouco! Morre de muito, ninguém o comanda, O mistério mantém-se seja lá como [...]
01-09-2007 » Recordo sempre minha aldeia com saudade, apesar da sua pequenez, tem encantos, foi por ali que brinquei vales, campos e cantos, mas tive que abalar cedo na tenra idade!... Contudo nunca esqueci aqueles anos santos passados, meu Deus, com tanta, dificuldade, aquela terra foi berço da minha mocidade que deixou em mim todos estes quebrantos! Que me [...]
31-08-2007 » Todos nós tivemos a era que ninguém a aproveita, Mocidade como deve ser— Aqui falo por mim— Mas somos todos iguais, no meio deste jardim, A fartura em tudo não s’avalia, nem se respeita! O amor é perfume que nos embebeda, sim Que tantas vezes s’evola e até nos despeita, Ineptos, vamos na onda, a velhice [...]
30-08-2007 » Para a minha querida DOLORES Com todos os primores! Por entre as flores do nosso jardim, À tarde passeamos bem juntinhos; Eu te falando em sonhos e carinhos, Tu, com teu terno olhar pousado em mim De mãos entrelaçadas e, entre ninhos Nós vamos rindo e passando assim: Colhendo ora uma rosa, ora um jasmim, E, ouvindo chilrear dos [...]
22-08-2007 » Por mais feliz que seja a nossa vida, Dentro de nós há sempre algo nefasto, Pensamentos! Lembranças, que deixaram rasto, São, tantas vezes dolorosa ferida! Nosso intimo, guarda, nada é gasto, Um erro juvenil, ou paixão, traída, São coisas, dentro de nós não têm saída, Que levam outras coisas em arrasto! Exemplo: o primeiro desgosto d’amor, Fica eterno dentro [...]
12-08-2007 » Às vezes, quando só, penso na vida, Escuto a voz do meu sentir, tristonho, A vida é quase nada; é talvez sonho Em que a dor sobretudo é mais sentida! Se em todo meu passado os olhos ponho, Em vão procuro o prazer; hora vivida Que em mente ficasse esclarecida; Um momento sequer, santo, risonho! E nada ou [...]
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